quinta-feira, 6 de março de 2014

CRONICA| As (estranhas) escolhas das Selecções Nacionais



Desde que assumiu o cargo de seleccionador, Paulo Bento já promoveu a estreia de 21 jogadores.
Curiosamente, o ex-jogador do Vitória Sport Clube (de 1991 a 1993) tem vindo a dar prioridade aos atletas que actuam na Liga Portuguesa.
Esta que é, segundo (falta de) o critério de escolha, formada pelo SL "Benfikic", FC Porto, Sporting CP e Sporting de Braga.
Jogadores que se destaquem fora deste núcleo são considerados estrangeiros ou prescindíveis.
Portugal marcou encontro amigavel frente aos Camarões e Paulo Bento decidiu surpreender e fazer algumas experiências

Rafa Silva (Braga), Ivan Cavaleiro (Benfica), Rolando (Inter), Miguel Lopes (Lyon), William Carvalho (Sporting) e Edinho (Kayseri) foram as principais novidades.
Considero que a chamada de Rafa Silva foi uma excelente decisão pois o jogador tem merecido face às suas excelentes exibições.
O mesmo se aplica ao trinco, William Carvalho.
As chamadas de Edinho e, principalmente, Ivan Cavaleiro é que se tornam absolutamente ridiculas.
O ponta-de-lança de 31 anos tinha vindo a fazer exibições miseráveis ao serviço do SCB e, foi, por isso, emprestado a um clube turco que ocupa, precisamente, o penúltimo lugar da tabela classificativa.

Dizer que o futebol português vive uma eterna crise de pontas-de-lança não é uma afirmação nova.
(Pauleta foi um espécimen goleador diferente).
O nosso estilo de futebol nunca encaixou verdadeiramente no estilo de ponta-de-lança clássico.
Para ser ponta-de-lança da Selecção Nacional, o jogador necessita de conhecer o conceito "saber jogar de costas" .
Nesse estilo, Nuno Gomes foi o último a conseguir a relação jogo-baliza que muitas vezes não teve no clube.
Helder Postiga já mostrou ser muito débil assim como Hugo Almeida e o "verdinho" Nelson Oliveira.
A solução também não passa por Edinho, obviamente.
Mas, já houve, em tempos, um ponta-de-lança capaz de ir buscar jogo, organizar e finalizar. Chamava-se Amidó Baldé mas representava o Vitória SC e, por isso, era prescindivel.
Agora, tem tido poucas oportunidades no Celtic, contudo, sempre que entra desequilibra e acaba mesmo por marcar.

Tiremos, agora, as famosas "palas" e vejamos o caso de Ivan Cavaleiro.
O extremo de 20 anos tem 234 minutos de jogo na Liga Zon Sagres. (Sim, leu bem.)
Cavaleiro tem qualidade. Mas, qual foi a base de Paulo Bento para chamar este atleta? Andará a acompanhar a Liga2 Cabovisão?
Se assim for, por que não chamar Vitor Bruno do Penafiel que foi considerado jogador do mês de Janeiro?

Em Guimarães, existe um clube que faz uma aposta séria e consistente nos jogadores portugueses.
Comecemos pelo "caso Paulo Oliveira".
Um defesa central natural de Famalicão formado pelo clube local e pelo Vitória Sport Clube com 1800 minutos de jogo na Liga Zon Sagres.
Titularissimo na muralha vimaranense, fez jogos brilhantes sempre com um toque de classe e, é, hoje, um dos jogadores mais cobiçados pelos chamados "grandes" portugueses sem descorar do interesse internacional.
A cor da sua camisola é branca e enverga um Rei ao peito pelo que é um atleta prescindível para Paulo Bento.
Craques como Rolando e Ricardo Costa (este último até foi dispensado por lesão) têm, indubitavelmente, mais qualidade do que o jogador vimaranese agenciado por António Teixeira da Silva.

Temos ainda o caso flagrante de André André. A visão de Paulo Bento só vislumbrou qualidade em William, Rafa e Ivan Cavaleiro no caso de jogadores a actuar em Portugal.
Infelizmente, o seleccionador tem mais prazer em ver servios em detrimento de jovens talentos nacionais.
André tem vindo a tornar-se no Iniesta da Cidade Berço.
Enche o meio-campo e ainda é capaz de ajudar na defesa e no ataque.
O problema é que é do Vitória Sport Clube e, é, por isso, prescindível.



O treinador dos Sub-21, Rui Jorge, chamou três Conquistadores para uma partida, em Barcelos, frente à congénere da Macedónia a contar para a qualificação para o Europeu de 2015 mas apenas Paulo Oliveira (que deveria estar num patamar superior) foi utilizado.
Este, fez uma partida irrepreensível (tal como sempre) ao lado do estreante (e óptimo jogador) Ruben Vezo.
Os dois jogadores, do Vitória SC e do Valência, entenderam-se sempre na perfeição dando pouco espaço de manobra aos atacantes da Macedónia.

Amorim foi ultrapassado por Ricardo Esgaio (que fez um excelente jogo, diga-se) e Tomané não fez o suficiente na Liga principal para convencer Rui Jorge.
Gonçalo Paciência (que pecou bastante a nível de finalização e decisão) fez, apenas, 1 golo ao serviço do FC Porto "B" ao contrário de António Mendes que festejou por 8 vezes no escalão principal do futebol português.

O que será preciso fazer (ou não fazer) para chegar às selecções portuguesas? Muita fretada e muitos amigos.

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